terça-feira, 6 de junho de 2017

Trinta Estâncias sobre a Pura Consciência

Trinta Estâncias sobre a Pura Consciência
Autor: Vasubhandu
Tradutor: Joaquim Monteiro
1- “Sendo o atman e os dharmas existências puramente nominais existem diversas modalidades de transformação (da consciência) e tudo isso se produz em função dessas transformações. No que se refere à atividade dessas transformações existem apenas três.”
2- “Elas se intitulam a consciência da retribuição cármica, a consciência calculadora e a consciência que identifica seus objetos. A primeira que é a “oitava consciência” se constitui na totalidade das sementes da retribuição cármica.”
3- “Sendo um apego incognoscível suas distinções estão sempre associadas ao contato, à atenção, à sensação, à distinção e à volição sendo equânime em relação a elas.”
4- “Sendo neutra e não conducente à perturbação, são assim também o contato e os demais dharmas. Ela se transforma como uma correnteza violenta e só é abandonada na condição de Arahat.”
5- “Temos em seguida a segunda transformação, a da consciência denominada Manas. Ela se transforma apoiada naquela outra consciência ( “oitava consciência” ) e a toma por seu objeto. Sua característica e sua natureza é o pensamento calculador.”
6- Ela é sempre acompanhada das quatro paixões que são a ignorância do atman, a visão do atman, o orgulho do atman e o amor ao atman. Ela é também acompanhada pelo contato e pelas demais funções.”
7- “Ela é classificada como neutra e conducente à perturbação prendendo-se ao objeto de seu apego. Ela não existe na condição de Arahat, no samadhi da extinção e no caminho supramundano.”
8- “Vem em seguida a terceira transformação. Ela possui seis modalidades distintas e tem por sua natureza e sua característica a identificação de seu objeto. Em sua totalidade não é benéfica nem maléfica.”
9- “As funções da mente são classificadas como gerais, específicas, benéficas, paixões, paixões dependentes e indeterminadas. Todas elas existem em correlação com as três sensações. (agradáveis, desagradáveis e neutras ).”
10- “As primeiras são as gerais como o contato. Em seguida temos as específicas como o desejo, a compreensão, a memória, a concentração e a sabedoria que possuem objetos diferentes.”
11- “São benéficas a fé, o arrependimento, a vergonha, a ausência de cobiça, a ausência de ódio, a ausência de ignorância, o esforço, a serenidade, a diligencia, a equanimidade e a inofensibilidade.”
12- “As paixões são a cobiça, o ódio, a ignorância, o orgulho, a dúvida e a visão perversa. As paixões dependentes são a raiva, o ressentimento, o ocultamento, o tormento, a inveja, a avareza ...”
13- “... a dissimulação, a bajulação, a ofensibilidade,a arrogância, a falta de arrependimento, a falta de vergonha, a excitação, o entorpecimento, a falta de fé, a negligencia ...”
14- “... a complacência, a falta de memória, a dispersão e o falso discernimento. As indeterminadas são a lamentação, a sonolência, a interrogação e a investigação. Nessas duas últimas existem duas modalidades.”
15- Tendo por base a consciência fundamental as cinco consciências surgem dependentes das condições. Elas se completam em alguns casos e em outros não, sendo como ondas que surgem a partir do oceano.”
16- A consciência (sexta consciência) surge continuamente com exceção dos instantes associados ao nascimento no mundo da não-concepção e às duas modalidades de concentração, no sono e naqueles estados de distanciamento.”
Jisui Zendô – Sanga Águas da Compaixão
R. Eliziário Goulart da Silva 93 – Porto Alegre, RS – 91040-430 / fone: (51) 3085-7476
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17- “Essas diversas transformações consistem na discriminação que tem a própria discriminação por seu objeto. Como essa discriminação é vazia tudo se constitui na pura consciência.”
18- “Em função da consciência que deposita as sementes em seu interior existem essas transformações. Em função do poder dessas transformações surgem as diversas formas da discriminação.”
19- “Em virtude da energia dos condicionamentos cármicos surgem os condicionamentos das duas modalidades do apego. Ao se extinguir a retribuição anterior surge ainda a retribuição seguinte.”
20- “Em função das diversas discriminações são discernidos e calculados os diversos objetos. A essência dessa natureza falsamente concebida não possui propriedades.”
21- “A natureza dependentemente originada é o objeto dessas discriminações. Em função dela a natureza perfeitamente realizada se separa permanentemente da natureza anterior.”
22- “Assim sendo essa natureza dependente não é distinta nem não distinta (da “natureza perfeitamente realizada”). Da mesma forma como a natureza de dharmas como a impermanência ela não pode deixar de ser vista.”
23- “Em função dessas três naturezas podemos afirmar a existência daquelas três não-naturezas. Assim podemos dizer que segundo a intenção suprema de Buda todos os dharmas não possuem uma natureza inerente.”
24- “Existe em primeiro lugar a não-natureza das características, em seguida a não-natureza da substancia e temos por fim aquela que se estabelece em função da separação em relação aos apegos ao atman e aos dharmas anteriormente referidos.”
25- “Esse sentido supremo dos dharmas é ainda chamado de “Tathata”. Sendo permanentemente de acordo com sua natureza se constitui na verdadeira natureza da pura consciência.”
26- “Nessa condição a consciência busca estabelecer-se na natureza da pura consciência sem ter ainda para ela despertado e sem ter ainda realizado a eliminação das paixões derivadas das duas modalidades do apego.”
27- “Ao ver os objetos diante de si imagina ter divisado a natureza da pura consciência. Como existe a discriminação ele ainda não se estabeleceu verdadeiramente na natureza da pura consciência.”
28- “Se nesse instante a sabedoria não discriminar os objetos ela se estabelece na pura consciência em função de ter-se separado das características das duas modalidades do apego.”
29- “É inconcebível tendo passado para além da sabedoria discriminativa. Ela se constitui na sabedoria supramundana. Abandonando o peso das duas modalidades do apego realiza a transmutação da consciência. “
30- “Se constitui no mundo incontaminado, no bem e na permanência inconcebíveis. É o sereno e tranqüilo corpo da emancipação intitulado de dharma pelo grande Sábio.”

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