Bodi
Sabedoria. A sabedoria da Iluminação de Buda adquirida ao cortar-se os dois
obstáculos: paixão e conceitos ilusórios. O termo bodi é geralmente traduzido apenas
como sabedoria. Bodai [JAPONÊS]; Bodhi [SÂNSCRITO].
Bodidarma
Monge da Índia que levou o Budismo para a China. Considera-se que ele
chegou em terras chinesas no dia 21 de setembro de 519 e,depois de haver
encontrado o Imperador Wu da Dinastia Liang (502-57), cruzou o rio Yang-tzu e
morou no templo Shao-lin, onde fez zazen por nove anos, voltado para a parede.
É reverenciado como o 28⁰ Mestre Ancestral na linhagem que se inicia com Xaquiamuni
Buda e como fundador do Zen na China. Bodaidaruma [JAPONÊS]; Bodhidharma
[SÂNSCRITO].
Bodisatva
Alguém que pratica os ensinamentos de Buda tanto na vida secular quanto na
religiosa. Faz o voto pleno de compaixão de salvar todos os seres antes de
realizar sua própria e completa Iluminação. Um Bodisatva da mais altarealização
é destinado a nascer como um Buda em sua vida seguinte. Há muitos Bodisatvas no
Budismo. Os mais conhecidos no Zen Budismo são Kannon (Bodisatva da Compaixão e
Protetor da Terra e das Crianças), Manjusri (Bodisatva da Sabedoria)e Fugen
(Bodisatva da Prática Constante). Bodhisattva [SÂNSCRITO], Bosatsu[JAPONÊS].
Buda
É o Buda principal nos ensinamentos da tradição Terra Pura. Seu nome
significa Buda da Luz Infinita. Os sutras dizem que ele fez 48 votos como Hozobiku
e tornou-se o Amida Buda em Sukhavati (Paraíso do Oeste) depois de longo treinamento
budista. Amida Buda [JAPONÊS].
Buda
Fundador histórico do Budismo, nascido Sidarta Gautama no dia 8 de abril
(segundo pesquisadores japoneses), na Índia, há mais de dois mil e quinhentos
anos. Abandona seu castelo e sua família e, depois de práticas de yoga e
ascetismo, senta-se em zazen por uma semana. Na manhã do oitavo dia, ao ver a
estrela da manhã, diz: “Eu e todos os seres da grande Terra, simultaneamente,
nos tornamos o Caminho”. Imagem principal da tradição Soto Shu. Shakamuni
[JAPONÊS]; Buda Sakyamuni [SÂNSCRITO].
Carma
A palavra literalmente quer dizer ação. No Budismo, são as ações que acabam
deixando resíduos, são resultados de outras ações ou provocam resultados e são
produzidas pela mente, pelo corpo e pelas palavras. Boas ações produzem bons
resultados, más ações produzem maus resultados e ações mistas produzem
resultados mistos. Há vários tipos de carma: individual, coletivo, fixo,
não-fixo, entre outros. Go [JAPONÊS]; Kamman, Karma, Carma [PÁLI], Karman
[SÂNSCRITO].
Daikan
Sexto Ancestral do Darma da China, Daikan Eno (638-713) foi um lenhador
pobre que se tornou monge ao ouvir a recitação do Sutra do Diamante e acaba
sendo o sucessor do Darma do Abade de um grande mosteiro. Ligado à escola
chinesa de “Iluminação Súbita”. Hui-neng [CHINÊS].
Daiosho
Grande Osho, Grande Monge ou Grande Monja. Título de monges e monjas que já
tiveram um discípulo monge ou monja que tenha passado pela Cerimônia de Shuso
Hossen (Combate do Darma do Chefe dos Noviços). Geralmente conferido aos que se
tornam responsáveis por algum templo oficial da tradição Soto Shu.
Daishi
Grande Mestre. Título honorífico dados aos monges e monjas. Nome dado a
Xaquiamuni Buda.
Darma
Quando Darma é escrito com maiúscula significa a Lei Verdadeira. No caso
budista, refere-se aos ensinamentos de Buda Xaquiamuni. Quando é escrito com
minúscula, refere-se a tudo que existe. A etimologia da palavra está
relacionada com aquilo que sempre mantém um certo caráter e torna-se assim um
modelo. Dhamma [SÂNSCRITO]; Dharma [PÁLI]; Ho [JAPONÊS].
Denkoroku
Keizan Osho Denko Roku é o nome completo dos Anais da Transmissão da Luz de
Keizan Osho (Mestre Zen Keizan Jokin Daiosho, cofundador da tradição Soto Zen
no Japão). Coleção de 53 biografias de Mestres Zen da linhagem Soto, desde Buda
Xaquiamuni até Koun Ejo (sucessor de Mestre Dogen).
Densho
Sino de metal usado nos mosteiros para anunciar cerimônias.
Dogen
Mestre Zen Dogen. Fundador da tradição Soto Zen do Budismo japonês. Viveu
de 1200 a 1253 e fundou o Mosteiro-Sede de Eiheiji, em Fukui, no Japão. Entre
seus escritos mais conhecidos, há o Shobogenzo (Correto Darma Olho
Armazenador).
Dokusan
Entrevista individual e confidencial com um(a) mestre(a), onde a realização
do Darma é testada, sendo confirmada ou não. Deve ser um momento breve de
manifestação da Sabedoria Suprema. Os praticantes Zen devem regularmente fazer
dokusan com seu(sua) orientador(a).
Doshi
Oficiante de cerimônia, monge ou monja líder. A expressão também é usada
para denominar Budas e Bodisatvas. Nayaka [SÂNSCRITO].
Gassho
Mãos palma com palma, gesto de reverência, representando a unidade de corpo
e mente. A ponta dos dedos das mãos unidas deve estar na altura do nariz, a um
palmo de distância dele. Os braços ficam em ângulo reto. Anjali [SÂNSCRITO].
Han
Madeira maciça cortada de forma retangular e pendurada nas entradas dos
templos, mosteiros, salas de zazen, salas dos mestres e salas de palestras. As
batidas, feitas por um martelo também de madeira, anunciam o início e o fim das
atividades, bem como a entrada ou passagem de monges e monjas. Moppan
[JAPONÊS].
Hanamatsuri
Festival das Flores. Refere-se às comemorações do nascimento de Buda
Xaquiamuni que, segundo estudiosos japoneses, corresponderia hoje ao dia 08 de
abril.
Hinayana
Uma das correntes budistas formadas após a morte de Buda Xaquiamuni. A
palavra Hinayana, equivalente a Shojo em sânscrito significa “pequeno veículo”
e é uma maneira pejorativa criada pelo outro grupo formado (ver Mahayana). O
Hinayana espalhou-se pelo sul da Índia, Sri Lanka, Myanmar, Tailândia e
Cambodja. Seus praticantes preferem o termo Theravada (Caminho dos Mais
Antigos). O ideal é do Arakan, a pessoa que obtém a libertação através da
concentração que leva asuperar as paixões e o ego. Shojo [JAPONÊS]; Theravada
[SÂNSCRITO].
Hoyo
Serviço memorial ou cerimônia religiosa
Inkin
Sino manual utilizado nas cerimônias para anunciar as reverências, para acompanhar
a oficiante na entrada e na saída da sala de cerimônias e outros momentos de
prática coletiva.
Jikido
Nome que se dá a quem é responsável pela sala de meditação naquele período
e mantém a sala e os praticantes corretamente. Monitor de zazen.
Jiko
Atendente do(a) oficiante ou mestre(a) que leva a caixa de oferecer incenso
(hako) e, nas cerimônias, se coloca atrás e à esquerda dele(a).
Jisha
Atendente do(a) oficiante ou mestre que, nas cerimônias, leva o incenso e
coloca-se atràs e à direita dele(a). Também é responsável por verificar se o(a)
oficiante tem tudo que necessita, prepara seu zafu para o zazen e abre e fecha
a fila de dokusan, organizando a mesma.
Jukai
Receber ou transmitir os Preceitos, dependendo do kanji (ideograma) que
representa a sílaba ju.
Jukai-e
Cerimônia de transmissão dos Preceitos de Bodisatva, dados por um(a)
mestre(a) de Preceitos. Os Preceitos transmitidos são, ao todo, dezesseis: os
Três Refúgios, os Três Preceitos Puros e os Dez Preceitos de Prática (ou Dez
Graves Proibições).
Kalpa
Na cronologia hindu, quatro milhões, trezentos e vinte anos, ou simplesmente
um período infinitamente longo de tempo. O tempo que o universo leva para
expandir-se e contrair-se. Ko [JAPONÊS].
Kannon
Bodisatva que personifica a grande compaixão, misericórdia, amor. Seu nome,
em sânscrito, literalmente significa “quem vê, observa em profundidade, os
lamentos do mundo”, e atende os pedidos verdadeiros. Há um capítulo do Sutra da
Flor de Lótus da Lei Maravilhosa dedicado a Kannon Bosatsu que é lido todas as
manhãs nas cerimônias completas da tradição Soto Shu. O Sutra do Coração da
Grande Sabedoria Completa (Maka Hannya Haramita Shingyo) inicia-se com Kannon
praticando Prajna Paramita. É considerada atendente do Buda Amitaba ou Amida
Buda, Buda da Luz Infinita (imagem principal das várias correntes da tradição
budista Terra Pura — Jodo Shu e Jodo Shin Shu). Não só auxilia os vivos, mas
também ajuda a levar as pessoas que faleceram para a Terra Pura. Há muitas iconografias
de Kannon no Japão e a devoção dos fiéis na Ásia se compara com a devoção dos
católicos pela Virgem Maria. Avalokitesvara [SÂNSCRITO]; Kanjisai Bodisatva,
Kanzeon Bodisatva [JAPONÊS]; Kwan Yin [CHINÊS].
Keizan
Mestre Keizan Jokin (1268-325) é o Fundador da tradição Soto Zen no Japão,
juntamente com Mestre Eihei Dogen. Era neto-discípulo de Mestre Dogen e
responsável pela divulgação da Soto Zen em todo o Japão, o que lhe valeu o
título de Mestre Fundador. Compilou o “Denkoroku” (Anais da Transmissão da
Luz), escreveu o “Zazen Yojinki”, e o “Sankon Zazensetsu Shingi” (Regras
Monásticas). Fundou o Mosteiro-Sede de Sojiji, atualmente em Yokohama. A frase
que o iluminou foi: “A mente comum é o Caminho”, ouvida do Mestre Tettsu Gikai,
com quem treinou, no Mosteiro de Daijoji.
Kentan
Andar pela sala de zazen verificando a presença dos praticantes e a maneira
como estão sentados. Caminhada lenta e respeitosa, com as mãos unidas em
gassho. O kentan pode ser feito pelo Monge Superior ou pela Monja Superiora de
um Mosteiro, antes do início do zazen, ou por quem os substituir. No final das
práticas de grandes Mosteiros, a pessoa responsável por verificar todas as
portas, janelas, salas, e se todos os praticantes estão acomodados para dormir,
faz um longo kentan por todos os edifícios, levando uma lanterna de papel na
mão.
Kesu
Grande sino de metal colocado sobre uma almofada de tecido e tocado através
de um bastão chamado bai. Seu som é tão mais baixo e profundo quanto maior seja
o kesu e mais pesado o bai. Nos Mosteiros-Sede, os monges precisam subir uma
escada para alcançar os kesu, de tão grandes que são.
Kinhin
Andar lentamente a passos regulares, seguindo a respiração, em plena
atenção de corpo e mente, entre os períodos de zazen. Conhecido como meditação
caminhando, ajuda a relaxar as pernas e o corpo da meditação sentada, refazer a
circulação sanguínea e energética, sem perder o foco da mente. É apenas durante
o kinhin que as pessoas podem entrar ou sair da sala de zazen para ir ao
banheiro, beber água, tomar ar ou fazer alguma outra atividade.
Koan
Algumas vezes traduzido como “pegadinha zen”, koan originalmente significa
um Édito Imperial na China antiga. Atualmente refere-se a situações históricas
e perguntas e respostas de antigos e famosos mestres zen, com o objetivo de
levar os praticantes à Iluminação, ao Despertar (satori ou mezameru, em
japonês), através da transcendência da mente dualista. Na tradição Soto, a vida
diária é considerada o koan essencial, a manifestação da verdade. Kung-na
[CHINÊS].
Korin
Pequeno sino de metal colocado sobre uma almofada de tecido e tocado com um
bastão, utilizado nas cerimônias. Geralmente fica ao lado do sino maior, o
kesu, e é usado para pontuar a leitura dos sutras, o sentar e levantar dos
praticantes e os momentos de reverências durante as dedicatórias e ao final das
cerimônias.
Kyosaku
Espada leve de madeira utilizada durante os períodos de zazen para
encorajar os praticantes. O kyosaku é também usado para encorajar monges e
monjas em sua prática. Diz-se que o kyosaku é a mão de Monju Bosatsu tocando a
pessoa que pratica o Caminho de Buda. Geralmente o kyosaku é aplicado no ombro
direito do praticante, que é o ombro descoberto dos monges e monjas (o ombro
esquerdo fica coberto pelo manto sagrado). Keisaku [JAPONÊS].
Mahayana
Literalmente “Grande Veículo”. A vertente do norte das duas principais
correntes budistas que se separaram depois do Parinirvana de Buda Xaquiamuni.
Espalhou-se pelo norte da Índia até os países do Tibet, Mongólia, China, Coreia
e Japão, adaptando-se aos diferentes países, povos e culturas. O ideal é o do
bodisatva, sempre pronto a sacrificar-se para o bem de todos os seres. Daijo
[JAPONÊS].
Maitreya
Bodisatva que está no céu Tsushita – o quarto dos seis céus no mundo do
desejo – esperando o momento em que descerá a este mundo para suceder Buda
Xaquiamuni. Segundo os sutras, aparecerá neste mundo 5.670 milhões de anos após
a morte de seu antecessor. Chamado de Buda do Futuro, seu nome significa
“afabilidade” ou “amabilidade amorosa”. Miroku Bosatsu [JAPONÊS].
Maka
Grande Sabedoria Completa. Maka significa grande, imensa; Hannya, sabedoria
e; Haramita é o que leva à outra margem, é a compleição. Maka Hannya Haramitsu
[JAPONÊS]; Maha Prajna Paramita [SÂNSCRITO].
Maka
Sutra do Coração da Grande Sabedoria Completa. Sutra de uma única parte
traduzido para o chinês por Hsung-chuang (600-94), é considerado por alguns uma
contração do Maha Prajna Paramita Sutra, de seiscentos volumes, enquanto outros
dizem ser um trabalho à parte. É um sutra curto e extremamente popular do
Budismo, comum a várias tradições. É considerada uma das mais notáveis
escrituras do mundo.
Monju
Bodisatva da Suprema Sabedoria. É a idealização ou personificação do Buda
da Sabedoria, que se manifesta em zazen. Imagem principal das salas de zazen,
um dos atendentes de Buda Xaquiamuni, geralmente sentado sobre um leão. Algumas
vezes carrega uma espada para cortar as delusões em uma das mãos e, na outra,
um sutra representando a verdade; em outras representações aparece como um
monge em zazen. Manjusri [SÂNSCRITO].
Mudra
Postura do corpo ou das mãos. Seu poder reside na própria postura como meio
de comunicar a qualidade da verdade. No zazen, fazemos o “mudra cósmico”. As
posições gassho e shashu também são mudras.
Myo
Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa. Escritura traduzida por
Kumalajiva (344-413), da tradição Mahayana. Revela a possibilidade que todos
têm de alcançar a Iluminação, a importância da fé e a compaixão inerente do
Bodisatva. Sutra principal das tradições Tendai e Nitiren do Japão. É
considerado por Mestre Dogen como o “rei dos sutras”. Há dois capítulos que são
lidos todas as manhãs nas cerimônias religiosas completas dos Mosteiros e
templos zen. Saddharmapundarikasutra [SÂNSCRITO].
Nirvana
Literalmente “extinção”. Originalmente referia-se ao estado de Iluminação
obtido por Buda Xaquiamuni – estado de grande paz e tranquilidade sábias, que
pode ser alcançado através da extinção das ilusões e delusões (“ignorância”) e
da união com a Verdade (“transcendência da dualidade”). Também é usado para
designar a morte de alguém. Não se fala em morte de Buda, mas na sua entrada em
Parinirvana (o Grande Nirvana Final). Nehan [JAPONÊS].
Obon
Abreviação de Urabon, é traduzido literalmente como “pendurado de cabeça
para baixo”, em referência aos espíritos famintos que sofrem muito. A cerimônia
para salvar espíritos famintos ao oferecer-lhes alimentos é realizada no meio
do ano. Em algumas partes do Japão no dia 15 de julho; em outras, no dia 15 de
agosto. Atualmente é uma oportunidade para as famílias reunirem-se homenageando
a ancestralidade pois, no Japão, é um feriado de três dias. Nos templos, faz-se
grandes serviços memoriais não só para os espíritos famintos, mas também para
todos os que já faleceram, com ofertas de várias espécies de alimentos crus e
cozidos, para que todos se satisfaçam e assim encontrem a libertação. Faz-se
também a leitura do “Daihishin Dharani” (“Darani da Grande Mente de Compaixão”)
e do “Kanromon” (“Portal do Doce Néctar”). É costume haver nos templos e nas
praças uma dança circular acompanhada pelo som de grandes tambores (taiko),
chamada de Obon Odori. Segundo as crenças populares, parentes e amigos que já
faleceram podem nos ver dançar alegres e assim ficam tranquilos e satisfeitos.
Ullambana [SÂNSCRITO];Urabon [JAPONÊS].
Okesa
Manto sagrado dos monges e monjas. Há okesas de cinco, sete, nove ou mais
pedaços de tecido costurados. Há instruções precisas sobre como fazê-las,
lavá-las, usá-las e guardá-las, deixadas por Mestre Dogen no capítulo do
Shobogenzo chamado “Kesa Kudoku” (“Mistérios da Okesa”). Kasaya
[SÂNSCRITO];Kesa [JAPONÊS].
Parinirvana
Referente à morte de Buda Xaquiamuni, com 80 anos de idade. Segundo
especialistas japoneses, a data corresponderia hoje ao dia 15 de fevereiro.
Nehan [JAPONÊS]; Paranirvana [SÂNSCRITO].
Parinirvana
Último ensinamento do Buda Xaquiamuni, com 80 anos de idade. Um trecho
resumido é lido de 1º a 15 de fevereiro, rememorando os últimos ensinamentos de
Buda. O Parinirvana Sutra é lido também nos velórios e funerais budistas. Nehan
Gyo [JAPONÊS].
Rakusu
Pequeno manto, de cinco tiras de tecido, costurado de forma especial e
transmitido em cerimônia solene para pessoas leigas e/ou monásticos. É o
símbolo de um discípulo de Buda, que usa seu manto, faz os votos de seguir o
Caminho e manter os Preceitos Budistas.
Roshi
Título honorífico para monges ou monjas, professores do Darma e mestres zen
que treinaram por muitos anos e são considerados iluminados. Literalmente
significa “velho(a) mestre”.
Samadhi
Estado mental livre de distrações, absorvido na concentração intensa “sem
propósito”. Pode-se encontrar na entrada das salas de zazen dos Mosteiros
japoneses a expressão “Zanmai O Zanmai” – Samadhi, o Rei dos Samadhis – local
para penetrar o estado de Iluminação não-dual. Zanmai [JAPONÊS].
Sampai
Três reverências completas.
Samsara
Originalmente “o fluxo do vir a ser”, o mundo da mudança. Repetição de
nascimento e morte nos Três Mundos (Sangai – Desejo e Forma, Forma, Não-Forma)
e Seis Níveis de Existência (Rokudo) até encontrar Nirvana. Os Seis Níveis são,
em ordem ascendente: Inferno, Espíritos Famintos (Gakki), Animais, Asuras
(guerreiros, briguentos), Seres Humanos e Seres Celestiais.
Samu
Trabalho em um templo zen, instaurado na época do 4º Patriarca, Dosshin,
que viveu no templo de Sohozan por 30 anos. O trabalho manual tornou-se parte
da vida monástica como treinamento espiritual integrado às necessidades da vida
diária. Zen em ação.
San-e
Sequência de toques de sinos ou do han, anunciando atividades nos templos e
mosteiros.
Sanga
A ordem ou comunidade budista. Sangha [SÂNSCRITO]; So [JAPONÊS].
Sensei
Literalmente “nascido(a) antes”. É a maneira, no Japão, de chamar-se os
professores, mestres, médicos, dentistas etc. No Budismo, é usado apenas para
professores e monges e monjas que praticam há mais tempo e tornam-se monitores
e guias do Darma.
Sesshin
Prática de introspecção e observação profundas. Durante o sesshin,
observamos e praticamos o silêncio, procurando falar somente o mínimo
indispensável durante as atividades em conjunto. A rotina de um sesshin envolve
de 10 a 12 períodos de zazen por dia, divididos em blocos pela manhã, tarde e
noite. Também praticamos kinhin, samu, oryoki (refeição formal) e serviços
religiosos de leitura de sutras. Durante o sesshin, o mestre fica disponível
para dokusan duas vezes por dia, e também faz teishos. O dia começa por volta
das 5h da manhã e termina às 22h. O sesshin costuma ser uma excelente
oportunidade para aprofundarmos a nossa prática, sobretudo se conseguimos nos
comprometer com a concentração e o silêncio. O sesshin mais tradicional é o
chamado Rohatsu Sesshin, que vai do dia 1º de dezembro até a manhã do dia 8 do
mesmo mês.
Shashu
Mudra, posição das mãos usada quando se está em pé. O polegar esquerdo é
colocado dentro da mão esquerda e a mão direita a cobre, mantendo-se os braços
em ângulo reto.
Mudra,
posição das mãos usada quando se está em pé. O polegar esquerdo é colocado
dentro da mão esquerda e a mão direita a cobre, mantendo-se os braços em ângulo
reto.
Shikantaza
Literalmente “apenas sentar-se”. Zazen sem uso de koans, sem nenhuma
indução. Considerada a principal prática da tradição Soto Zen.
Shitchi
Entrada de sete sinos para cerimônias especiais. São toques para acompanhar
a passagem da oficiante até a almofada no centro da sala de Buda. Nessa entrada
há uma “conversa” entre os pequenos sinos de mão (inkin) e o grande sino
pendurado fora da sala (densho).
Shokei
Enquanto o taiko marca as horas, este pequeno sino de metal colocado ao
lado dele serve para marcar os minutos. Cada toque equivale a 20 minutos.
Shomon
Originalmente um discípulo de Buda. Mais tarde, com a divisão da
comunidade, a tradição Mahayana passou a usar o termo para denominar os
praticantes da tradição a que chamam pejorativamente de Hinayana e que se
esforçam para atingir o estágio de arhat, observando 250 preceitos para monges
e 348 preceitos para monjas. Sob o ponto de vista Mahayana, é um estágio
inferior ao de Bodisatva. Mestre Dogen escreve no Shobogenzo (Shobogenzo
Sanjunshichi Bodaibum Po) que manter os preceitos de Shomon é violar os
preceitos de Bodisatva. Sravaka [SÂNSCRITO].
Skanda
“Agregado”. Todos os fenômenos são feitos de agregados. Há cinco skandas: o
primeiro é material (em sânscrito, rupa), a substância de que toda matéria é
constituída. Os outros quatro skandas são mentais e restritos às funções da
mente: sensação, percepção, conexões mentais e consciência (em sânscrito,
respectivamente: vedana, samja, samsara e vijnana). Un [JAPONÊS].
Soguei
Pessoa que auxilia na entrada dos oficiantes, tocando o sino de mão (inkin)
Soto
Fundada no Japão no século XIII pelo Mestre Zen Eihei Dogen (1200-53), é
uma das treze ramificações do Budismo japonês. Foi um dos cinco grandes grupos
do Zen Budismo chinês, fundado no século VII por Bodai Daruma Daiosho
(Bodidarma). O nome Soto parece ter surgido da junção dos nomes “Sokei” (em
chinês, Ts’ao-hsi), local onde o Sexto Ancestral do Darma, Mestre Zen Daikan
Eno (Hui-neng) praticava e “Tozan”, a montanha onde o Mestre Tozan Ryokai
(Liangchieh) ensinava. Dos cinco grupos Zen da China antiga, apenas as escolas
Soto e Rinzai (Lin-chi) continuam ativas tanto na China quanto em outros
países. A terceira escola, Obaku, ainda mantém alguns templos e poucos monges.
As outras duas escolas desapareceram. Tsao-tung-tsung [CHINÊS].
Sutra
Um dos tripitaka (“Cânone Budista”). São diálogos e ensinamentos do Mestre
Original Buda Xaquiamuni. Literalmente significa “um fio que perspassa as
joias, unindo-as”. Na tradição Theravada, constitui apenas o Cânone Páli, com
os ensinamentos orais de Buda. Na tradição Mahayana representa os ensinamentos
de Buda de maneira geral. Os sutras mais usados pela tradição Soto Shu são:
“Sutra da Grande Sabedoria Completa” (Maka Hannya Haramita), “Sutra do
Diamante” (Kongo Kyo), “Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa” (Myo Ho Ren
Gue Kyo) e “Sutra da Plataforma do Sexto Ancestral”, atribuído ao Sexto
Ancestral da China, Daikan Eno (Hui-neng). Kyo [JAPONÊS].
Taiko
Grande tambor colocado geralmente nas proximidades da sala de zazen e da
sala de Buda para marcar as horas do dia ou para anunciar alguma refeição,
cerimônia especial ou a entrada de uma pessoa importante. Para marcar as horas,
é usado junto com o Shokei, que marca os minutos, em intervalos de vinte.
Tatami
Espessa esteira de palha de arroz usada no Japão como cobertura de assoalho
ou nos elevados das salas de zazen. O tamanho padrão é de noventa centímetros
por um metro e oitenta centímetros [0,90m x 1,80m].
Tatagata
Quem vem e vai do assim como é”, um dos epítetos de Buda. Significa uma
pessoa que chegou de e vai para o Tataga (em japonês, Shinyo ou Nyo), a
igualdade verdadeira. Também traduzido como “nem indo, nem vindo”, pois estaria
“assim vindo, assim indo”. Nyorai [JAPONÊS].
Teisho
Palestra formal do Darma, durante um período de zazen, contendo
ensinamentos mais profundos dados por um mestre sobre o essencial do Caminho de
Buda.
Tenzo
Monge-chefe da cozinha, responsável pelo preparo das refeições nos
Mosteiros zen. O Tenzo e seus assistentes ficam numa ala chamada de Tenzo Ryo.
Mestre Dogen considerava tão importante essa tarefa que escreveu um tratado
especial chamado de “Tenzo Kyokun” (“Regras Especiais para o Chefe da
Cozinha”).
Umpan
Sino de metal em forma de nuvem, geralmente usado para anunciar que as
refeições estão prontas. Fica nas proximidades da cozinha (Tenzo Ryo) de um
Mosteiro zen.
Zabuton
Almofada retangular de cerca de oitenta centímetros por um metro [0,80m x
1,00m]. O zabuton é colocado sob o zafu durante o zazen ou para fazer
reverências em frente aos altares.
Zafu
Almofada arredondada para a prática do zazen. Nos templos e mosteiros zen
são pretas para os leigos, leigas, noviços, noviças, monges e monjas. Apenas os
professores podem sentar-se nos zafus de cor marrom.
Zagu
Um dos seis pertences pessoais de um monge ou monja. É um pedaço de tecido
retangular usado para as reverências ou para sentar-se. Nisidana [SÂNSCRITO].
Zaniku
Esteira de palha de arroz fina sem enchimentos com as bordas de tecido
especial colocada sob o zabuton no local das reverências em frente aos altares.
Zazen
Posição sentada em meditação. Za significa “sentar-se” e Zen vem do
sânscrito Dhyana, “meditação”.
Zen
Zen é normalmente traduzido como meditação, mas pode ser entendido como a
prática da concentração na qual o processo de pensamento intelectual é
diminuído e o estado de consciência é elevado pela exclusão de pensamentos
extras, chegando-se ao plano do pensamento puro, e obtendose a Iluminação. A
partir do 28º Ancestral do Darma, o Venerável Bodaidaruma (Bodidarma), que
fazia desta sua prática principal, torna-se uma das grandes vertentes do
Budismo na China, por volta dos séculos VI e VII. Há várias práticas
meditativas nos ensinamentos budistas e o Zen não deve ser limitado a nenhuma
delas. Ch’an [CHINÊS]; Dhyana, Jhana [SÂNSCRITO].
(Fonte: http://www.zendobrasil.org.br/pratique/glossario/ )

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